IMPRENSA / ARTIGOS / BRASIL NO RUMO DA MOBILIDADE VERDE

FEIRA E CONGRESSO

21 a 23

setembro de 2017
das 12hs às 20hs

EXPO CENTER NORTE SP

PAVILHÃO AMARELO

INSCREVA-SE

*Ricardo Guggisberg

O mercado de veículos elétricos no Brasil entra neste ano de 2014 em rota de evolução. E essa evolução abrange todos os elos dessa cadeia: desde veículos leves, que são os carros de passeio e utilitários, os super leves e levíssimos, como motos, bicicletas, patins, skates, cadeiras de rodas e triciclos, os pesados, como é o caso dos ônibus – urbanos e rodoviários - e trens, os componentes, como peças, equipamentos e novas tecnologias e, por fim, a infraestrutura, que abrange a produção e distribuição de energia. Nunca se falou tanto nesses assuntos por aqui, tanto é que, cada vez mais, o tema ganha espaço na pauta do Governo Federal.

E este espaço se faz necessário quando olhamos para os números divulgados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). De acordo com o órgão, a frota de carros elétricos no ano passado era de 2,2 mil unidades. Número expressivo considerando as condições desfavoráveis praticadas por aqui em relação aos incentivos para a compra desses modelos, uma vez que, por enquanto, não produzimos tais modelos. Isso impacta negativamente neste mercado, porque torna o valor ainda inacessível para o público em geral, emperrando a sua popularização.

A pressão exercida por esse eminente crescimento começa a surtir efeito. Conforme anunciado pela Associação Nacional dos Fabricantes dos Veículos Automotores (ANFAVEA), a tendência é que o país receba incentivos para a difusão da categoria neste primeiro semestre. Na proposta consta a redução do IPI, a nacionalização dos componentes e o início da produção no país.

Mesmo antes do anúncio, é importante ser dito que o setor dos veículos elétricos no Brasil está em evolução. Acompanhamos a movimentação das principais montadoras em seguir nesse ritmo. A BMW, por exemplo, planeja a inauguração de sua primeira unidade em solo brasileiro no segundo semestre desse ano e, pelo que tudo indica, um de seus focos por aqui é a fabricação de modelos verdes. A Renault também se movimenta nesse sentido. Ainda não fabrica esses modelos aqui, mas possui parcerias com empresas brasileiras, como a Itaipu Binacional, a CPFL e a Natura, e fornece a elas os seus modelos elétricos Zoe e Kangoo, utilizados por seus funcionários em serviço.

Grandes cidades como São Paulo e Rio e Janeiro já adotaram modelos híbridos por meio de empresas de táxi. Curitiba também implantou modelos Eco-elétrico para a locomoção de policiais da Guarda Civil Metropolitana e do Instituto Curitiba de Turismo e Setran (Secretaria Municipal de Trânsito).

Devemos enfatizar também a importância da aprovação dos incentivos fiscais para o transporte público no Brasil, já que os modelos de ônibus híbridos e 100% elétricos, que já circulam em várias cidades do Brasil, como em São Paulo, e reduzem drasticamente a porcentagem de emissões. Isso sem contar os modelos de motos elétricas, silenciosas, eficientes e que podem rodar distâncias satisfatórias com uma simples recarga.

Além da redução de impostos, especialistas e executivos deste setor questionam a falta de infraestrutura que o Brasil possui quando o assunto são postos de recarga. Ponderações pertinentes quando enxergamos as possibilidades de expansão deste mercado num futuro próximo. Ao que me parece, em uma tentativa de unificar o anúncio do pacote de incentivos a outras medidas para um crescimento homogêneo deste segmento, a Câmara dos Deputados aprovou recentemente um projeto de lei que obrigará as concessionárias de energia que atuam no Brasil a instalarem pontos de recarga em estacionamentos públicos.

A notícia foi muito benvinda, já que o projeto, que ainda precisa ser aprovado pelo Senado e regulada no Executivo, diminuirá a lacuna que ainda temos em termos de infraestrutura de recarga, se nos compararmos com mercados como o europeu. Mais do que isso, não permitirá que o país fique um degrau abaixo nas mudanças previstas para o setor de transporte urbano, especialmente as apresentadas pela indústria automobilística na luta pela redução de emissões.

Nessa questão, a CPFL, empresa de distribuição de energia que atua no Estado de São Paulo, sai na frente. Recentemente, a companhia anunciou a criação de 100 postos de recarga destinados aos carros elétricos, antecipando-se ao que deve ser tendência nos próximos anos.

Chegou o momento do Brasil. Está provado que existe interesse em difundir os elétricos por aqui. Há demanda, receptividade da população, iniciativa das montadoras e, o mais importante, vontade política para estimular este mercado, o que elevará o país a um patamar de destaque na questão da mobilidade verde em um futuro próximo.

Ampliar o debate sobre os veículos elétricos de modo geral, suas vantagens e desafios que ainda o rodeiam se faz necessário a cada ano. E eventos como a 10ª Edição do Salão Latino Americano de Veículos Elétricos, Componentes e Novas Tecnologias, que será realizado nos dias 4, 5 e 6 de setembro, em São Paulo, prometem trazer à tona essas discussões.

* Ricardo Guggisberg é diretor do Salão Latino Americano de Veículos Elétricos, Componentes e Novas Tecnologias

Vídeos

VE na GLOBONEWS

Sete milhões de veículos elétricos foram vendidos em todo o mundo no primeiro semestre de 2013.

Ver todos